
Querido diário,
Quanto tempo não escrevo em você? Há quanto tempo não venho dar notícias minhas?
Então querido diário, as coisas não são mais as mesmas: eu cresci, amadureci, sofri decepções, fiquei mais fria, mais dura...
Sabe Querido Diário, a vida de adulto não é como eu fantasiava na minha infância não, existe responsabilidade demais, escolhas demais, dor demais, falsidade demais, tristeza demais, decepção demais. Queria poder voltar a época em que minha maior preocupação era escolher a roupa que minha boneca ia usar ou que cor de lápis eu iria usar pra pintar o meu desenho.
É Diário, a vida era mais fácil quando eu escrevia em você e achava que minha vida era a pior coisa do mundo.
Não que minha vida seja ruim agora Diário, longe disso, ela é boa, muito boa, mas ainda sinto falta daquele tempo, daquela ingenuidade que eu possuía, daquele meu jeito de ver o mundo.
Hoje eu vejo o mundo desconfiando de tudo, criei uma armadura que às vezes nem eu mesma consigo penetrar, uma armadura que falha nas horas em que eu mais preciso que ela resista, uma armadura cheia de vãos...
Querido Diário, sou mulher agora, sou bonita, sou inteligente e sou guerreira, e admitir isso não vejo como falta de humildade, mas como ser capaz de enxergar meu próprio valor. Hoje eu me amo em primeiro lugar, Diário. Hoje eu sou minha primeira opção. Hoje já não me magoo com facilidade, não, vou reformular a frase, contínuo me magoando com facilidade, mas hoje sou fria o suficiente pra poder fingir que está tudo bem. Fingir vira habito depois de algumas coisas, fingir vira consequência. Não gosto de fingir, nunca gostei. Mas às vezes é necessário colocar um sorriso no rosto quando sua vontade é chorar, é necessário fingir-se de feliz quando na realidade você está desmoronando por dentro, é necessário fingir que está tudo bem quando na realidade existe uma parte morta dentro de você.
Sinto falta dos versos em que eu escrevia, sinto falta dos desenhos que eu fazia, sinto falta de dançar. Sinto falta de tantas coisas...
Querido Diário, eu queria entender porque adultos prometem e não cumprem, queria entender, por que os adultos sentem prazer em ferir... Vivo na época errada diário, não é possível. Ou eu nunca devia ter crescido, devia ter ido para Neverland como era meu sonho na infância... Eu devia, sei lá o que eu devia, a essa altura da vida, não sei nem mais o que achar. Mas é isso ai Diário, vamos seguindo em frente, né!?
Mas Diário, esqueci de te contar uma coisa, talvez a melhor coisa que eu tenha pra contar: sabe aquela menina sonhadora? Ela ainda existe, em algum lugar aqui dentro, ela é a única parte boa de mim, então eu só a deixo sair de noite, quando estamos só nós duas no meu quarto escuro. Ela é meu bem mais precioso, por isso tenho que ter todo o cuidado com ela. É ela que me faz ainda ter uma criança dentro de mim.
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