sábado, 6 de agosto de 2011

Uma História, Dois Mundos.


Ela era apenas uma adolescente de 16 anos, ele mal acabara de completar 18.
Ele representava para ela tudo que sempre sonhou, o amava do jeito torto de uma adolescente, mas com sinceridade de uma mulher.
Ele parecia saído dos seus sonhos mais íntimos, aquele em que ela era uma princesa que amava o príncipe encantado, ninguém podia julgá-la, afinal esse foi o sonho de todas as mulheres em todos os tempos.
Só que nem só de sonhos vivia ela, embora passasse metade do tempo sonhando em estar com ele e outra metade do tempo, desejando que seus sonhos se tornassem realidade; ela também tinha seus picos de realidade, realidade na qual ela sabia que as coisas não era tão simples como nos sonhos dela, ela sabia que ele era um príncipe e ela a pobre plebeia, amavam-se, mas nada se podia fazer: uma história, dois mundos.
Ela sabia que o príncipe a amava mas também sabia que era impossível esse amor entre eles, afinal, o que ela podia oferecer a ele? Não tinha nada além de sonhos e seu amor.
Ele queria fugir, ela desejava isso também, mas eles não podiam esquecer que sempre existiria algo que os impediriam...
Anos se passaram, ela não era mais adolescente, seguiu sua vida sem o príncipe, pois ele havia ido embora, diziam-se os boatos que ele tinha partido para casar-se com uma princesa.
Toda vez que ouvia esses boatos, seus olhos enchiam-se de lágrimas, um nó formava-se em sua garganta e sentia que seu coração parara de bater e ela corria, corria desesperadamente, corria floresta a dentro como se sua vida dependesse disso, como se tudo dependesse disso.
Parou de correr quando chegou a uma cabana, velha e escondida, ninguém sabia da existência dela. Àquela cabana, a cabana dela, a cabana deles, onde podiam se encontrar e dar vazão ao amor e a saudade que sentiam.
A cabana onde eles estiveram pela última vez antes dele partir. Aquela cabana transmitia-lhe paz e naquela cabana ela era feliz, o cheiro dele ainda vivia ali, as lembranças da última noite estavam gravadas nas paredes à carvão. Lembrava da sua voz lhe fazendo declarações de amor, lembrava da tristeza em sua voz ao dizer: amo-te minha menina, amo-te como jamais amei outra, amo-te com minha vida e com meu coração. Vós sois minha verdadeira princesa e minha rainha. Me dói demais deixar-te aqui... Prometa-me meu amor, prometa-me que jamais esquecerá o que sinto por ti, jamais irei deixar de amar-te... Virei buscar-te, minha amada, prometo a ti, prometa-me esperar-me...
Ela girou pela cabana, lendo os vários "amo-te" escritos ali pela caligrafia dele; quando ouviu a porta da cabana fechar atrás de si, fechou os olhos com força desejando desesperadamente que isso não fosse mais um dos seus sonhos...
- Eu prometi que viria buscá-la minha rainha, você me esperou? - A voz tão conhecida e doce soou em seu ouvido, apegando-se a esse sussurro como se sua vida dependesse disso, virou-se vagarosamente, temendo virar rápido demais e fazê-lo sumir, viu seu príncipe parado com o seu sorriso doce nos lábios, piscando para ter certeza que não era alucinação, viu que dessa vez não sonhava: seu príncipe estava ali, cumprira o prometido, viera lhe buscar...

[...]

Ao fundo um barulho irritante tocava: o despertador.
Ela a contragosto abriu os olhos e instintivamente olhou para o lado e encontrou mais uma vez a cama vazia.
Havia se passado anos desde a última vez que ele esteve ocupando o espaço ao lado em sua cama, mas mesmo depois de anos sem vê-lo o mesmo sonho lhe assombrava desde a adolescencia, lembrava vivamente da última conversa que tinha tido com ele, ela sabia que ali seria a despedida:

"- É tão ruim me despedir de você.
- Mas é só até sábado, não é?
- Vou fazer de tudo para que seja..."

E essa foi a última noite em que eles estiveram juntos...
Mas ela jamais o esqueceria.

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