domingo, 26 de junho de 2011


"Eu prefiro me torturar do que me iludir", essa era a única frase que ela não pensava em ouvir naquela hora. Entre as luzes, as músicas, as pessoas rindo, se divertindo, entre os beijos, olhares, coisas que ela observava no ambiente, aquilo chamou mais atenção. Ela jamais havia pensado a quanto tempo fazia isso sem perceber. Aquela pessoa que deu show com ela na hora da dança, um alguém que não podia se libertar pelas suas escolhas porque o preconceito alheio não permitia, não podia acompanha-la em todos os passos. Essa pessoa há fez parar e refletir. Mas não importava, seus olhos gritavam um mix de felicidade momentânea e desespero. Ela não se lembrava como a conversa chegou na vida pessoa dele, som alto e muita gente falando a deixava distraída, mas quem estava perto parou para ouvi-lo. Ele falava de amor, do seu amor, daquilo que lhe aconteceu. Falava dos seus sonhos, frustrações, do medo e ela se identificou com algumas coisas do seu parceiro de dança. Mas aquela frase ecoou muito forte, ela sentiu a dor dele e foi entranho sentir aquilo que ela própria tentava esconder a tempos. Parar e perceber que foras as suas escolhas e seus medos que a fez perder o motivo do seu sorriso, foi algo que ela evitou mas inevitavelmente aconteceu. E com troca de experiências, aquela conversa continuou. Ela dizia como havia errado, que teve medo do que falariam, medo da família, medo da fama dele, medo de mentiras que poderiam ser cortadas, mas ela não tinha percebido que não te-lo a faria suportar qualquer medo. E seu parceiro de dança falava das noites que ele preferia se manter acordado, contemplando o rosto frágil do seu amor, de como a vida de duas pessoas haviam se voltado para o mesmo caminho. E ele e seu amor ainda se olhavam na mesma festa em que aquele dois estranhos trocavam confidências. Seu amor estava lá, o amor concretizado ainda existia, mas tinha uma coisa que se perdeu, eles se perderam. Ela também tinha se perdido, ela e seu amor se perderam, foi erro dela, foi erro dele, ele foi, ela morreu, ela foi, ele chorou, mas ela não conseguia parar de pensar no que se passava na sua cabeça quando decidiu provar pra si própria e pro mundo de que a melhor escolha não era ela. Ela não tinha parado pra pensar na tortura incompleta que fazia até ali, aquela frase, conversa e olhar foi extremamente necessário para ela olhar pra frente e perceber uma foi, foi sua culpa ter jogado seu próprio sorriso fora, mas há algo que ainda conforta tanto a ela quanto seu parceiro de dança: independente dos olhares que poderiam ser trocados com seu amor, ver aquela pessoa, que se cultivou tanto carinho, feliz, ver seu sorriso estampado nas fotos, nele próprio, nas atitudes, na sua vontade de seguir em frente e estar bem, fazia ela ser feliz também.

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